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Alocação de ativosAsset allocation

Alocação de ativos é a decisão de quanto do patrimônio vai para cada classe de investimento: quanto em renda fixa, quanto em ações, quanto no exterior e assim por diante. Estudos com fundos mostram que essa divisão explica a maior parte das oscilações de uma carteira ao longo do tempo, mais do que a seleção de cada produto.

Atualizado em outubro de 20265 min de leitura

Pontos-chave

  • Alocação de ativos é a divisão percentual da carteira entre classes de investimento.
  • Ela é definida a partir de objetivos, prazo, necessidade de liquidez e tolerância ao risco.
  • Segundo estudo clássico com fundos americanos, a política de alocação explica cerca de 90% das oscilações de retorno de uma carteira ao longo do tempo.
  • Não existe alocação certa para todos; carteiras-modelo são apenas ponto de partida.
  • Depois de definida, a alocação é mantida com rebalanceamento periódico.

O que é alocação de ativos

Alocação de ativos é a decisão maior que vem antes de escolher entre um CDB e outro, ou entre uma ação e outra: que fatia do patrimônio vai para cada tipo de investimento. Uma carteira com 80% em renda fixa e 20% em ações vai se comportar de forma muito diferente de outra com a proporção invertida, quaisquer que sejam os produtos escolhidos dentro de cada fatia.

A alocação traduz em números o que o investidor quer, o prazo que tem e o quanto de oscilação aceita.

Como definir a alocação de ativos

Os fatores que mais pesam são:

  • Prazo: quanto mais distante o objetivo, mais espaço para classes que oscilam, porque há tempo para recuperar quedas.
  • Liquidez: dinheiro que pode ser necessário a qualquer momento fica em ativos de resgate rápido e baixa oscilação.
  • Tolerância e capacidade de risco: o quanto a pessoa aguenta ver a carteira cair e o quanto pode perder sem comprometer os planos.
  • Momento de vida: quem está acumulando patrimônio costuma ter alocação diferente de quem já vive da renda dos investimentos.

Há duas abordagens comuns. A alocação estratégica fixa proporções de longo prazo e as mantém. A tática permite desvios temporários para aproveitar momentos de mercado, dentro de limites definidos com antecedência.

A importância da alocação costuma ser resumida na frase de que ela explica 90% do resultado, uma simplificação do estudo de Ibbotson e Kaplan (2000) com fundos balanceados e fundos de pensão americanos. Os autores mediram três coisas diferentes. A política de alocação explicou cerca de 90% da oscilação de retorno de um fundo ao longo do tempo, cerca de 40% da diferença de retorno entre um fundo e outro e, em média, praticamente todo o nível de retorno obtido. Para o investidor, a lição é que a divisão entre classes determina como a carteira se comporta, e a escolha de produtos ajusta o resultado dentro dessa divisão.

Exemplo de alocação de ativos com números

Uma carteira de R$ 200.000 com uma alocação moderada ilustrativa. Não é recomendação.

R$ 200.000 · alocação moderada ilustrativa
Renda fixa pós-fixada (40%)R$ 80.000,00
Renda fixa atrelada à inflação (20%)R$ 40.000,00
Ações brasileiras (20%)R$ 40.000,00
Fundos imobiliários (10%)R$ 20.000,00
Ativos no exterior (10%)R$ 20.000,00
TotalR$ 200.000,00

Uma alocação conservadora poderia ter 80% ou mais em renda fixa. Uma arrojada, metade ou mais em ações e exterior. Os percentuais exatos variam entre casas de análise e devem ser ajustados ao caso de cada pessoa.

Alocação de ativos e diversificação: qual a diferença

Alocação de ativos

  • Decide quanto vai para cada classe.
  • Controla o nível de risco da carteira.
  • Exemplo: 60% em renda fixa e 40% em renda variável.

Diversificação

  • Distribui o dinheiro dentro das classes e entre elas.
  • Reduz riscos específicos de emissores e setores.
  • Exemplo: dividir os 40% entre vários setores e países.

As duas trabalham juntas. A alocação define o tamanho de cada fatia; a diversificação garante que nenhuma fatia dependa de um único ativo.

Como usar a alocação de ativos nas suas decisões

  1. Registre a alocação por escrito, com percentuais-alvo e faixas de tolerância, por exemplo ações entre 25% e 35%.
  2. Separe a alocação por objetivo quando os prazos forem muito diferentes, como reserva, imóvel e aposentadoria. A reserva de emergência fica fora da alocação de longo prazo, em ativos de liquidez diária e baixa oscilação.
  3. Mude a alocação quando a vida mudar, não quando o mercado oscilar. Casamento, filhos, troca de emprego e proximidade da aposentadoria são motivos legítimos.
  4. Peça a alocação proposta antes dos produtos. Um profissional que começa a conversa pelo produto do momento está invertendo a ordem.

Perguntas frequentes

Existe uma regra de alocação por idade?+

Sim, há regras de bolso, como manter em renda variável um percentual igual a 100 menos a idade. Elas servem como ponto de partida, mas ignoram renda, patrimônio, objetivos e tolerância ao risco, que pesam mais que a idade.

Com que frequência revisar a alocação de ativos?+

O rebalanceamento, que ajusta as proporções reais à alocação-alvo, costuma ser feito a cada seis ou doze meses. Já a alocação-alvo deve ser revista quando os objetivos ou a situação de vida mudam.

Previdência privada entra na alocação de ativos?+

Sim. Um PGBL ou VGBL investe em renda fixa, ações ou ambos, e essa exposição deve ser somada ao resto da carteira para que a alocação reflita a realidade.

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