Pontos-chave
- Alocação de ativos é a divisão percentual da carteira entre classes de investimento.
- Ela é definida a partir de objetivos, prazo, necessidade de liquidez e tolerância ao risco.
- Segundo estudo clássico com fundos americanos, a política de alocação explica cerca de 90% das oscilações de retorno de uma carteira ao longo do tempo.
- Não existe alocação certa para todos; carteiras-modelo são apenas ponto de partida.
- Depois de definida, a alocação é mantida com rebalanceamento periódico.
O que é alocação de ativos
Alocação de ativos é a decisão maior que vem antes de escolher entre um CDB e outro, ou entre uma ação e outra: que fatia do patrimônio vai para cada tipo de investimento. Uma carteira com 80% em renda fixa e 20% em ações vai se comportar de forma muito diferente de outra com a proporção invertida, quaisquer que sejam os produtos escolhidos dentro de cada fatia.
A alocação traduz em números o que o investidor quer, o prazo que tem e o quanto de oscilação aceita.
Como definir a alocação de ativos
Os fatores que mais pesam são:
- Prazo: quanto mais distante o objetivo, mais espaço para classes que oscilam, porque há tempo para recuperar quedas.
- Liquidez: dinheiro que pode ser necessário a qualquer momento fica em ativos de resgate rápido e baixa oscilação.
- Tolerância e capacidade de risco: o quanto a pessoa aguenta ver a carteira cair e o quanto pode perder sem comprometer os planos.
- Momento de vida: quem está acumulando patrimônio costuma ter alocação diferente de quem já vive da renda dos investimentos.
Há duas abordagens comuns. A alocação estratégica fixa proporções de longo prazo e as mantém. A tática permite desvios temporários para aproveitar momentos de mercado, dentro de limites definidos com antecedência.
A importância da alocação costuma ser resumida na frase de que ela explica 90% do resultado, uma simplificação do estudo de Ibbotson e Kaplan (2000) com fundos balanceados e fundos de pensão americanos. Os autores mediram três coisas diferentes. A política de alocação explicou cerca de 90% da oscilação de retorno de um fundo ao longo do tempo, cerca de 40% da diferença de retorno entre um fundo e outro e, em média, praticamente todo o nível de retorno obtido. Para o investidor, a lição é que a divisão entre classes determina como a carteira se comporta, e a escolha de produtos ajusta o resultado dentro dessa divisão.
Exemplo de alocação de ativos com números
Uma carteira de R$ 200.000 com uma alocação moderada ilustrativa. Não é recomendação.
Uma alocação conservadora poderia ter 80% ou mais em renda fixa. Uma arrojada, metade ou mais em ações e exterior. Os percentuais exatos variam entre casas de análise e devem ser ajustados ao caso de cada pessoa.
Alocação de ativos e diversificação: qual a diferença
Alocação de ativos
- Decide quanto vai para cada classe.
- Controla o nível de risco da carteira.
- Exemplo: 60% em renda fixa e 40% em renda variável.
Diversificação
- Distribui o dinheiro dentro das classes e entre elas.
- Reduz riscos específicos de emissores e setores.
- Exemplo: dividir os 40% entre vários setores e países.
As duas trabalham juntas. A alocação define o tamanho de cada fatia; a diversificação garante que nenhuma fatia dependa de um único ativo.
Como usar a alocação de ativos nas suas decisões
- Registre a alocação por escrito, com percentuais-alvo e faixas de tolerância, por exemplo ações entre 25% e 35%.
- Separe a alocação por objetivo quando os prazos forem muito diferentes, como reserva, imóvel e aposentadoria. A reserva de emergência fica fora da alocação de longo prazo, em ativos de liquidez diária e baixa oscilação.
- Mude a alocação quando a vida mudar, não quando o mercado oscilar. Casamento, filhos, troca de emprego e proximidade da aposentadoria são motivos legítimos.
- Peça a alocação proposta antes dos produtos. Um profissional que começa a conversa pelo produto do momento está invertendo a ordem.
Perguntas frequentes
Existe uma regra de alocação por idade?+
Sim, há regras de bolso, como manter em renda variável um percentual igual a 100 menos a idade. Elas servem como ponto de partida, mas ignoram renda, patrimônio, objetivos e tolerância ao risco, que pesam mais que a idade.
Com que frequência revisar a alocação de ativos?+
O rebalanceamento, que ajusta as proporções reais à alocação-alvo, costuma ser feito a cada seis ou doze meses. Já a alocação-alvo deve ser revista quando os objetivos ou a situação de vida mudam.
Previdência privada entra na alocação de ativos?+
Sim. Um PGBL ou VGBL investe em renda fixa, ações ou ambos, e essa exposição deve ser somada ao resto da carteira para que a alocação reflita a realidade.