Pontos-chave
- Diversificar é distribuir o dinheiro para que um único problema não derrube a carteira inteira.
- Funciona quando os ativos têm baixa correlação, isto é, não se movem juntos.
- Reduz o risco específico (de uma empresa ou emissor), mas não o risco sistemático (de todo o mercado).
- Dá para diversificar entre classes, emissores, setores, prazos, indexadores e países.
- Mais produtos não significa mais diversificação: dez fundos com a mesma estratégia valem quase como um.
O que é diversificação de investimentos
Diversificar é não colocar todos os ovos na mesma cesta, a imagem mais conhecida do conceito. Se todo o patrimônio está em uma só ação, um balanço ruim ou um escândalo na empresa pode levar metade dele. Se está dividido entre investimentos que reagem de formas diferentes, a perda em um é amortecida pelos outros.
O princípio por trás é a correlação. Dois ativos com correlação alta sobem e caem juntos, e combiná-los ajuda pouco. Ativos com correlação baixa ou negativa se compensam, e é dessa combinação que vem a redução de risco.
Como diversificar investimentos na prática
- Entre classes: renda fixa, ações, imobiliário e exterior respondem de modo diferente a juros, inflação e câmbio.
- Entre emissores: em renda fixa privada, dividir entre bancos e empresas diferentes reduz o risco de calote. Em CDBs, LCIs e LCAs, respeitar o limite do FGC por instituição faz parte disso.
- Entre setores: em ações, ter só bancos ou só empresas de commodities concentra o risco em um único ciclo de negócios.
- Entre indexadores e prazos: combinar pós-fixados, prefixados e títulos atrelados à inflação, com vencimentos diferentes.
- Entre países e moedas: parte do patrimônio no exterior protege contra crises que afetam só o Brasil e contra a desvalorização do real.
Fundos e ETFs são atalhos: um ETF de Ibovespa dá exposição a dezenas de empresas com uma única compra.
Exemplo de diversificação com números
Compare duas carteiras de R$ 50.000 em um ano no qual a principal ação de uma delas cai 50%. Os números são ilustrativos.
A carteira diversificada também perdeu dinheiro naquele ano, mas 3,4% em vez de 50%. Para recuperar uma perda de 50%, a carteira concentrada precisaria dobrar de valor.
O que a diversificação reduz e o que ela não reduz
Risco específico
- Ligado a uma empresa, emissor ou setor.
- Exemplos: fraude contábil, quebra de um banco, perda de um contrato.
- Diminui bastante com diversificação.
Risco sistemático
- Afeta o mercado inteiro ao mesmo tempo.
- Exemplos: recessão, alta forte de juros, crise global.
- Não desaparece com diversificação; é administrado pela alocação.
Em crises fortes, ativos que costumam andar separados podem cair juntos por um período. A diversificação continua útil, mas não é garantia contra perdas.
Como usar a diversificação nas suas decisões
- Conte classes e emissores, não produtos. Três fundos que compram as mesmas ações são uma posição só.
- Observe o limite do FGC ao espalhar CDBs, LCIs e LCAs entre bancos: R$ 250 mil por CPF e por instituição ou conglomerado, com teto de R$ 1 milhão em garantias pagas a cada quatro anos.
- Não confunda diversificação com excesso. Uma carteira com 40 ativos que você não acompanha pode ser pior que uma com oito bem escolhidos.
- Pergunte por que um produto entrou na carteira. Se a resposta não for a função dele no conjunto, pode ser apenas uma venda.
Perguntas frequentes
Quantas ações preciso ter para estar diversificado?+
Não há número exato. Estudos clássicos mostram que o risco específico cai depressa com as primeiras dezenas de ações de setores diferentes e que, a partir daí, cada ação adicional reduz pouco o risco. Para a maioria dos investidores, um ETF ou fundo de ações resolve isso com uma única compra.
Diversificar diminui o retorno?+
Pode diminuir o retorno máximo possível, porque a carteira nunca terá tudo no ativo que mais subiu. Em troca, reduz a chance de grandes perdas. Ao longo do tempo, evitar quedas profundas costuma pesar mais do que acertar a melhor aposta.
Ter dinheiro em vários bancos é diversificar?+
Em parte. Ajuda no risco de crédito, principalmente acima do limite do FGC. Mas, se todas as aplicações forem CDBs pós-fixados, a carteira continua concentrada em uma única classe e em um único indexador.