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Diversificação

Diversificação é a estratégia de distribuir o patrimônio entre investimentos diferentes para reduzir o impacto de uma perda isolada. Ela funciona porque ativos distintos não sobem e caem ao mesmo tempo. Diversificar reduz os riscos específicos de uma empresa, setor ou emissor, mas não elimina o risco do mercado como um todo.

Atualizado em outubro de 20264 min de leitura

Pontos-chave

  • Diversificar é distribuir o dinheiro para que um único problema não derrube a carteira inteira.
  • Funciona quando os ativos têm baixa correlação, isto é, não se movem juntos.
  • Reduz o risco específico (de uma empresa ou emissor), mas não o risco sistemático (de todo o mercado).
  • Dá para diversificar entre classes, emissores, setores, prazos, indexadores e países.
  • Mais produtos não significa mais diversificação: dez fundos com a mesma estratégia valem quase como um.

O que é diversificação de investimentos

Diversificar é não colocar todos os ovos na mesma cesta, a imagem mais conhecida do conceito. Se todo o patrimônio está em uma só ação, um balanço ruim ou um escândalo na empresa pode levar metade dele. Se está dividido entre investimentos que reagem de formas diferentes, a perda em um é amortecida pelos outros.

O princípio por trás é a correlação. Dois ativos com correlação alta sobem e caem juntos, e combiná-los ajuda pouco. Ativos com correlação baixa ou negativa se compensam, e é dessa combinação que vem a redução de risco.

Como diversificar investimentos na prática

  • Entre classes: renda fixa, ações, imobiliário e exterior respondem de modo diferente a juros, inflação e câmbio.
  • Entre emissores: em renda fixa privada, dividir entre bancos e empresas diferentes reduz o risco de calote. Em CDBs, LCIs e LCAs, respeitar o limite do FGC por instituição faz parte disso.
  • Entre setores: em ações, ter só bancos ou só empresas de commodities concentra o risco em um único ciclo de negócios.
  • Entre indexadores e prazos: combinar pós-fixados, prefixados e títulos atrelados à inflação, com vencimentos diferentes.
  • Entre países e moedas: parte do patrimônio no exterior protege contra crises que afetam só o Brasil e contra a desvalorização do real.

Fundos e ETFs são atalhos: um ETF de Ibovespa dá exposição a dezenas de empresas com uma única compra.

Exemplo de diversificação com números

Compare duas carteiras de R$ 50.000 em um ano no qual a principal ação de uma delas cai 50%. Os números são ilustrativos.

R$ 50.000 · uma ação contra cinco investimentos
Concentrada: 100% na ação que caiu 50%R$ 25.000,00
Diversificada: R$ 10 mil na mesma ação (−50%)R$ 5.000,00
R$ 10 mil em CDB (+11%) e R$ 10 mil em Tesouro IPCA+ (+9%)R$ 22.000,00
R$ 10 mil em fundo imobiliário (+5%) e R$ 10 mil em ETF no exterior (+8%)R$ 21.300,00
Carteira diversificada no fim do anoR$ 48.300,00

A carteira diversificada também perdeu dinheiro naquele ano, mas 3,4% em vez de 50%. Para recuperar uma perda de 50%, a carteira concentrada precisaria dobrar de valor.

O que a diversificação reduz e o que ela não reduz

Risco específico

  • Ligado a uma empresa, emissor ou setor.
  • Exemplos: fraude contábil, quebra de um banco, perda de um contrato.
  • Diminui bastante com diversificação.

Risco sistemático

  • Afeta o mercado inteiro ao mesmo tempo.
  • Exemplos: recessão, alta forte de juros, crise global.
  • Não desaparece com diversificação; é administrado pela alocação.

Em crises fortes, ativos que costumam andar separados podem cair juntos por um período. A diversificação continua útil, mas não é garantia contra perdas.

Como usar a diversificação nas suas decisões

  1. Conte classes e emissores, não produtos. Três fundos que compram as mesmas ações são uma posição só.
  2. Observe o limite do FGC ao espalhar CDBs, LCIs e LCAs entre bancos: R$ 250 mil por CPF e por instituição ou conglomerado, com teto de R$ 1 milhão em garantias pagas a cada quatro anos.
  3. Não confunda diversificação com excesso. Uma carteira com 40 ativos que você não acompanha pode ser pior que uma com oito bem escolhidos.
  4. Pergunte por que um produto entrou na carteira. Se a resposta não for a função dele no conjunto, pode ser apenas uma venda.

Perguntas frequentes

Quantas ações preciso ter para estar diversificado?+

Não há número exato. Estudos clássicos mostram que o risco específico cai depressa com as primeiras dezenas de ações de setores diferentes e que, a partir daí, cada ação adicional reduz pouco o risco. Para a maioria dos investidores, um ETF ou fundo de ações resolve isso com uma única compra.

Diversificar diminui o retorno?+

Pode diminuir o retorno máximo possível, porque a carteira nunca terá tudo no ativo que mais subiu. Em troca, reduz a chance de grandes perdas. Ao longo do tempo, evitar quedas profundas costuma pesar mais do que acertar a melhor aposta.

Ter dinheiro em vários bancos é diversificar?+

Em parte. Ajuda no risco de crédito, principalmente acima do limite do FGC. Mas, se todas as aplicações forem CDBs pós-fixados, a carteira continua concentrada em uma única classe e em um único indexador.

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