Pontos-chave
- Sem credenciamento em entidade autorizada pela CVM, papel exercido pela Ancord, ninguém pode atuar como assessor de investimentos.
- O exame de certificação é aplicado pela FGV e cobre a atividade do assessor, prevenção à lavagem de dinheiro, mercado de capitais e derivativos.
- O credenciamento depende de educação continuada: 150 pontos em cada ciclo de 60 meses, ou aprovação em exame de renovação.
- A consulta pública da Ancord mostra se o assessor está ativo, a quais instituições está vinculado e se atua com exclusividade.
- O credenciamento da Ancord habilita o assessor; as certificações da Anbima são exigidas pela autorregulação de quem distribui produtos em bancos e distribuidoras aderentes aos códigos.
O que é a Ancord
A Ancord reúne as corretoras e distribuidoras de títulos e valores mobiliários, câmbio e mercadorias. Como associação de classe, representa essas instituições em debates com reguladores, organiza grupos de trabalho e oferece cursos. Para quem investe, porém, o que mais importa é outra função: ela é a porta de entrada obrigatória de quem quer trabalhar como assessor de investimentos.
A Resolução CVM 178/2023 determina que o assessor seja credenciado por uma entidade credenciadora autorizada pela CVM. A Ancord cumpre esse papel, seguindo as Resoluções CVM 178 e 179 e um regulamento próprio de processos. Uma vez credenciado, o assessor recebe automaticamente o registro na CVM e passa a constar das listas públicas de profissionais autorizados.
Como funciona o credenciamento da Ancord
- Exame de certificação: aplicado em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), tem 80 questões de múltipla escolha. A aprovação exige 70% de acertos no total e ao menos metade de acertos em cada módulo principal: atividade do assessor, prevenção à lavagem de dinheiro, mercado de capitais e mercado de derivativos.
- Requisitos pessoais: ensino médio completo, não estar inabilitado ou suspenso no sistema financeiro e não ter condenação pelos crimes listados na norma.
- Pedido de credenciamento: aprovado no exame, o profissional pede o credenciamento no sistema da Ancord. Para atender clientes, precisa de contrato escrito com ao menos uma instituição ou de vínculo com um escritório que tenha esse contrato. Escritórios organizados como empresa também são credenciados, com a indicação de sócios, empregados e do diretor responsável.
- Educação continuada: o Programa de Educação Continuada (PEC) funciona em ciclos de 60 meses, nos quais o assessor precisa somar 150 pontos, com mínimo de 20 e máximo de 70 por ano, em cursos e eventos validados. Quem não atinge a pontuação pode fazer o exame de renovação.
- Conduta: a Ancord tem um Código de Conduta Ética e um Conselho de Ética, que recebe denúncias por formulário no site.
Exemplo prático: consulta de um assessor na Ancord
Um investidor recebe a ligação de alguém que se apresenta como assessor de um escritório e oferece uma aplicação. Antes de abrir conta, ele pesquisa o nome na consulta pública da Ancord. O resultado abaixo é ilustrativo.
Se a oferta envolvesse depositar dinheiro em conta de outra instituição, ou se o nome não aparecesse na consulta, seria motivo para parar ali. O assessor credenciado só opera por meio das instituições informadas no cadastro, e o dinheiro vai sempre para a conta do cliente em uma delas.
Certificação Ancord e certificações Anbima: qual a diferença
Certificação Ancord
- Habilita a atuar como assessor de investimentos, vinculado a uma ou mais instituições.
- Exigida pela Resolução CVM 178/2023 e leva ao registro na CVM.
- Prova única, aplicada pela FGV.
- Manutenção pelo PEC, em ciclos de 60 meses.
Certificações Anbima
- CPA, C-Pro R e C-Pro I, voltadas a profissionais de bancos e distribuidoras que atendem clientes e recomendam produtos.
- Exigência da autorregulação da Anbima para as instituições que seguem seus códigos; não habilitam a atuar como assessor.
- Trilha em etapas: primeiro a CPA, depois a C-Pro R ou a C-Pro I.
- Atualização anual pela plataforma ANBIMA Edu.
Um gerente de banco que recomenda fundos costuma precisar de certificação Anbima; um assessor que atua por uma corretora precisa do credenciamento da Ancord. Muitos profissionais têm as duas, mas uma não substitui a outra.
Como usar a Ancord nas suas decisões
- Consulte o assessor antes de abrir conta. A consulta pública da Ancord reúne assessores e escritórios vinculados a mais de 50 instituições e indica se há exclusividade.
- Confira a instituição informada. O cadastro mostra com quais corretoras ou bancos o assessor trabalha; a conta deve ser aberta em uma delas, em seu nome.
- Observe a identificação do escritório. Pela norma, o nome de uma empresa de assessoria precisa conter "assessor de investimento" ou "AI", e os materiais devem identificar a instituição contratante com destaque pelo menos igual ao da marca do escritório.
- Use os canais certos se algo der errado. Reclame primeiro na instituição contratante, que responde pelos atos do assessor. Conduta antiética pode ser levada ao Conselho de Ética da Ancord, e infrações às normas, à CVM.
Perguntas frequentes
A Ancord é um órgão do governo?+
Não. É uma associação privada de corretoras e distribuidoras. Ela atua como entidade credenciadora por autorização da CVM, o órgão público que regula o mercado de valores mobiliários.
Certificação Anbima substitui a prova da Ancord?+
Não, pelas regras da Resolução CVM 178. O credenciamento de assessor exige aprovação nos exames de qualificação definidos para a atividade, aplicados no programa da Ancord, e as certificações da Anbima não aparecem como substitutas desse exame.
De quanto em quanto tempo o assessor renova o credenciamento na Ancord?+
A cada ciclo de 60 meses do PEC, o programa de educação continuada da Ancord. Nesse período, o assessor precisa acumular 150 pontos em atividades educacionais validadas ou ser aprovado no exame de renovação.
Onde reclamar de um assessor de investimentos?+
Primeiro na instituição a que ele está vinculado, incluindo a ouvidoria dela. Depois, nos canais de atendimento da CVM. Questões de ética profissional também podem ser enviadas ao Conselho de Ética da Ancord.