Pontos-chave
- O BDR é emitido por uma instituição depositária no Brasil, que mantém os ativos originais guardados no exterior.
- Desde setembro de 2020, a Resolução CVM 3 permite que investidores em geral comprem BDRs, inclusive os não patrocinados.
- O valor em reais depende da ação lá fora e do câmbio: alta do dólar ajuda, queda atrapalha.
- O lucro na venda paga 15% (20% no day trade) e não tem a isenção de R$ 20 mil das ações brasileiras.
- Os dividendos de BDR são tratados como rendimento do exterior e não seguem a regra aplicável aos dividendos pagos por empresas brasileiras.
O que é um BDR
Um BDR é um recibo. Uma instituição depositária compra ações de uma empresa estrangeira no mercado de origem, deixa esses papéis guardados com um custodiante lá fora e emite no Brasil certificados que os representam. Cada BDR equivale a uma fração ou a um múltiplo da ação original, proporção que é definida no programa.
Para o investidor, o BDR funciona como uma ação na B3: é comprado pelo home broker, em reais, no horário do pregão brasileiro. O que muda é o que está por trás dele: uma empresa cujo resultado, moeda e regulação são de outro país.
Como funciona o BDR na prática
- Patrocinado: a empresa estrangeira participa da emissão e contrata a depositária. Há três níveis: no Nível I as exigências são menores; nos Níveis II e III a empresa se registra na CVM como emissor estrangeiro e presta mais informações ao mercado brasileiro.
- Não patrocinado: a depositária emite o BDR por iniciativa própria, sem participação da empresa, e sempre no Nível I. Muitos BDRs de grandes empresas americanas negociados na B3 são desse tipo.
- Acesso: a Resolução CVM 3, de agosto de 2020, em vigor desde 1º de setembro daquele ano, ampliou o acesso de investidores não qualificados aos BDRs Nível I, que antes eram restritos a investidores qualificados, desde que o ativo seja negociado principalmente em um mercado estrangeiro reconhecido.
- BDR de ETF: a mesma norma passou a permitir BDRs lastreados em cotas de ETFs negociados no exterior, o que dá acesso a índices estrangeiros inteiros com um só papel.
- Liquidez: alguns BDRs têm poucos negócios por dia, o que aumenta a diferença entre o preço de compra e o de venda.
- Tributação: o lucro na venda paga 15% em operações comuns e 20% no day trade, sem a isenção de R$ 20 mil mensais que vale para ações brasileiras. Prejuízos podem compensar lucros de ações, ETFs e BDRs na mesma modalidade. Os dividendos são tratados como rendimento do exterior, em regra a 15% no Brasil, e o imposto retido no país de origem pode ser abatido nos limites da lei; a forma de apuração (carnê-leão mensal ou ajuste anual pela Lei 14.754/2023) ainda gera interpretações diferentes.
Exemplo de BDR com números
Um investidor aplica R$ 10.000 em BDRs de uma empresa americana. No período, a ação sobe 10% em dólares, mas o dólar cai 10% em relação ao real. Os valores são ilustrativos e ignoram custos e impostos.
A empresa foi bem, mas o investidor brasileiro perdeu dinheiro, porque o câmbio anulou o ganho. O inverso também ocorre: em períodos de alta do dólar, o BDR pode subir mesmo com a ação parada lá fora. Quem compra BDR assume dois riscos ao mesmo tempo, o da empresa e o da moeda.
BDR e investir direto no exterior: qual a diferença
BDR
- Compra na B3, em reais, pela corretora brasileira.
- Sem remessa de dinheiro nem conta fora do país.
- Lucro na venda apurado mês a mês, com DARF.
- Universo limitado aos programas disponíveis na B3.
Conta no exterior
- Compra direta da ação ou do ETF no mercado de origem.
- Exige remessa, com custo de câmbio e IOF.
- Ganhos e dividendos declarados no ajuste anual, a 15% (Lei 14.754/2023).
- Acesso a qualquer ativo listado lá fora, inclusive renda fixa.
O BDR é mais simples para quem quer começar com valores pequenos e manter tudo em uma conta brasileira. A conta no exterior dá mais opções e mantém o patrimônio em outra moeda, mas exige lidar com câmbio, declaração e, em caso de falecimento, regras sucessórias do outro país.
Como usar BDRs nas suas decisões
- Decida antes quanto da carteira quer em ativos estrangeiros. O BDR é um meio para diversificar fora do Brasil, e o peso dessa parcela depende do seu perfil e dos seus objetivos.
- Confira a liquidez e a proporção do BDR. Volume diário baixo encarece a entrada e a saída, e a paridade explica por que o preço em reais difere da cotação lá fora.
- Considere um BDR de ETF para diversificar. Um único papel pode representar centenas de empresas, o que reduz o risco de depender de poucas companhias.
- Controle vendas e dividendos para o imposto. Não há isenção para pequenas vendas, e os dividendos exigem atenção na declaração.
- Pergunte ao assessor ou consultor como ele avalia o risco cambial. Uma boa recomendação explica o papel da moeda na carteira, e não só a empresa escolhida.
Perguntas frequentes
BDR paga dividendos?+
Sim. Quando a empresa estrangeira paga dividendos, a depositária repassa os valores aos titulares dos BDRs em reais, já descontado o imposto retido no país de origem e eventuais custos do programa.
Como declarar dividendos de BDR no imposto de renda?+
Como rendimento do exterior, e não pela regra dos dividendos de empresas brasileiras: em regra, 15% no Brasil, com abatimento do imposto retido lá fora nos limites da lei. A forma de apuração (carnê-leão mensal ou ajuste anual, pela Lei 14.754/2023) tem interpretações diferentes; confira as orientações da Receita para o ano ou fale com um contador.
Precisa ser investidor qualificado para comprar BDR?+
Em geral, não. Desde 1º de setembro de 2020, a Resolução CVM 3 permite que o investidor não qualificado compre BDRs Nível I, patrocinados ou não, desde que cumpridos os requisitos da norma sobre o mercado de origem do ativo, e observado o perfil de investidor.
Qual a diferença entre BDR e ADR?+
São o mesmo mecanismo em mercados diferentes. O BDR representa no Brasil ações de empresas estrangeiras; o ADR (American Depositary Receipt) representa nos Estados Unidos ações de empresas de fora do país, inclusive brasileiras.