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BDRBrazilian Depositary Receipt

BDR (Brazilian Depositary Receipt) é um certificado emitido no Brasil por uma instituição depositária e negociado na B3, que representa ações ou cotas de ETFs listadas no exterior. Ele permite investir em empresas como as grandes de tecnologia americanas sem abrir conta fora do país. O preço em reais acompanha a cotação lá fora e a variação do câmbio, e a tributação segue regras próprias.

Atualizado em outubro de 20266 min de leitura

Pontos-chave

  • O BDR é emitido por uma instituição depositária no Brasil, que mantém os ativos originais guardados no exterior.
  • Desde setembro de 2020, a Resolução CVM 3 permite que investidores em geral comprem BDRs, inclusive os não patrocinados.
  • O valor em reais depende da ação lá fora e do câmbio: alta do dólar ajuda, queda atrapalha.
  • O lucro na venda paga 15% (20% no day trade) e não tem a isenção de R$ 20 mil das ações brasileiras.
  • Os dividendos de BDR são tratados como rendimento do exterior e não seguem a regra aplicável aos dividendos pagos por empresas brasileiras.

O que é um BDR

Um BDR é um recibo. Uma instituição depositária compra ações de uma empresa estrangeira no mercado de origem, deixa esses papéis guardados com um custodiante lá fora e emite no Brasil certificados que os representam. Cada BDR equivale a uma fração ou a um múltiplo da ação original, proporção que é definida no programa.

Para o investidor, o BDR funciona como uma ação na B3: é comprado pelo home broker, em reais, no horário do pregão brasileiro. O que muda é o que está por trás dele: uma empresa cujo resultado, moeda e regulação são de outro país.

Como funciona o BDR na prática

  • Patrocinado: a empresa estrangeira participa da emissão e contrata a depositária. Há três níveis: no Nível I as exigências são menores; nos Níveis II e III a empresa se registra na CVM como emissor estrangeiro e presta mais informações ao mercado brasileiro.
  • Não patrocinado: a depositária emite o BDR por iniciativa própria, sem participação da empresa, e sempre no Nível I. Muitos BDRs de grandes empresas americanas negociados na B3 são desse tipo.
  • Acesso: a Resolução CVM 3, de agosto de 2020, em vigor desde 1º de setembro daquele ano, ampliou o acesso de investidores não qualificados aos BDRs Nível I, que antes eram restritos a investidores qualificados, desde que o ativo seja negociado principalmente em um mercado estrangeiro reconhecido.
  • BDR de ETF: a mesma norma passou a permitir BDRs lastreados em cotas de ETFs negociados no exterior, o que dá acesso a índices estrangeiros inteiros com um só papel.
  • Liquidez: alguns BDRs têm poucos negócios por dia, o que aumenta a diferença entre o preço de compra e o de venda.
  • Tributação: o lucro na venda paga 15% em operações comuns e 20% no day trade, sem a isenção de R$ 20 mil mensais que vale para ações brasileiras. Prejuízos podem compensar lucros de ações, ETFs e BDRs na mesma modalidade. Os dividendos são tratados como rendimento do exterior, em regra a 15% no Brasil, e o imposto retido no país de origem pode ser abatido nos limites da lei; a forma de apuração (carnê-leão mensal ou ajuste anual pela Lei 14.754/2023) ainda gera interpretações diferentes.

Exemplo de BDR com números

Um investidor aplica R$ 10.000 em BDRs de uma empresa americana. No período, a ação sobe 10% em dólares, mas o dólar cai 10% em relação ao real. Os valores são ilustrativos e ignoram custos e impostos.

R$ 10.000 em BDR · ação +10% em dólar · dólar −10%
Valor aplicadoR$ 10.000,00
Efeito da alta da ação (×1,10)R$ 11.000,00
Efeito da queda do dólar (×0,90)R$ 9.900,00
Resultado em reais− R$ 100,00 (−1,00%)

A empresa foi bem, mas o investidor brasileiro perdeu dinheiro, porque o câmbio anulou o ganho. O inverso também ocorre: em períodos de alta do dólar, o BDR pode subir mesmo com a ação parada lá fora. Quem compra BDR assume dois riscos ao mesmo tempo, o da empresa e o da moeda.

BDR e investir direto no exterior: qual a diferença

BDR

  • Compra na B3, em reais, pela corretora brasileira.
  • Sem remessa de dinheiro nem conta fora do país.
  • Lucro na venda apurado mês a mês, com DARF.
  • Universo limitado aos programas disponíveis na B3.

Conta no exterior

  • Compra direta da ação ou do ETF no mercado de origem.
  • Exige remessa, com custo de câmbio e IOF.
  • Ganhos e dividendos declarados no ajuste anual, a 15% (Lei 14.754/2023).
  • Acesso a qualquer ativo listado lá fora, inclusive renda fixa.

O BDR é mais simples para quem quer começar com valores pequenos e manter tudo em uma conta brasileira. A conta no exterior dá mais opções e mantém o patrimônio em outra moeda, mas exige lidar com câmbio, declaração e, em caso de falecimento, regras sucessórias do outro país.

Como usar BDRs nas suas decisões

  1. Decida antes quanto da carteira quer em ativos estrangeiros. O BDR é um meio para diversificar fora do Brasil, e o peso dessa parcela depende do seu perfil e dos seus objetivos.
  2. Confira a liquidez e a proporção do BDR. Volume diário baixo encarece a entrada e a saída, e a paridade explica por que o preço em reais difere da cotação lá fora.
  3. Considere um BDR de ETF para diversificar. Um único papel pode representar centenas de empresas, o que reduz o risco de depender de poucas companhias.
  4. Controle vendas e dividendos para o imposto. Não há isenção para pequenas vendas, e os dividendos exigem atenção na declaração.
  5. Pergunte ao assessor ou consultor como ele avalia o risco cambial. Uma boa recomendação explica o papel da moeda na carteira, e não só a empresa escolhida.

Perguntas frequentes

BDR paga dividendos?+

Sim. Quando a empresa estrangeira paga dividendos, a depositária repassa os valores aos titulares dos BDRs em reais, já descontado o imposto retido no país de origem e eventuais custos do programa.

Como declarar dividendos de BDR no imposto de renda?+

Como rendimento do exterior, e não pela regra dos dividendos de empresas brasileiras: em regra, 15% no Brasil, com abatimento do imposto retido lá fora nos limites da lei. A forma de apuração (carnê-leão mensal ou ajuste anual, pela Lei 14.754/2023) tem interpretações diferentes; confira as orientações da Receita para o ano ou fale com um contador.

Precisa ser investidor qualificado para comprar BDR?+

Em geral, não. Desde 1º de setembro de 2020, a Resolução CVM 3 permite que o investidor não qualificado compre BDRs Nível I, patrocinados ou não, desde que cumpridos os requisitos da norma sobre o mercado de origem do ativo, e observado o perfil de investidor.

Qual a diferença entre BDR e ADR?+

São o mesmo mecanismo em mercados diferentes. O BDR representa no Brasil ações de empresas estrangeiras; o ADR (American Depositary Receipt) representa nos Estados Unidos ações de empresas de fora do país, inclusive brasileiras.

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