Pontos-chave
- No fee fixo, a remuneração depende do tamanho do patrimônio, não da quantidade ou do tipo de produto vendido.
- Em muitos formatos, os rebates pagos por fundos e emissores são devolvidos ao cliente, total ou parcialmente.
- O fee costuma ser um percentual anual sobre o patrimônio, debitado em parcelas mensais ou trimestrais.
- Fee fixo não é automaticamente mais barato: o custo total depende da taxa, dos produtos da carteira e do que é devolvido.
- A Resolução CVM 179/2023 obriga corretoras e distribuidores a informar como são remunerados e a enviar extrato trimestral com os valores.
O que é fee fixo
No fee fixo, o cliente paga uma taxa conhecida, calculada sobre o patrimônio, e o profissional ganha mais quando o patrimônio cresce. É o inverso do modelo tradicional de distribuição de investimentos, em que o cliente não paga diretamente pela orientação e a corretora e o assessor de investimentos são remunerados por comissões: parte da taxa de administração dos fundos (o rebate), corretagem e a diferença entre o preço de compra e o de venda de títulos de renda fixa, o spread. Isso cria um incentivo a recomendar o que paga mais.
A Investopedia separa o profissional fee-only, pago apenas pelo cliente, do fee-based, que combina taxa com comissões. No Brasil, "fee fixo" e "fee based" costumam ser usados como sinônimos, e o que define o modelo na prática é o destino das comissões.
Como o fee fixo funciona no Brasil
- Na consultoria de investimentos: o consultor registrado na CVM cobra o cliente diretamente. Pela Resolução CVM 19/2021, vantagens recebidas de terceiros devem ser repassadas ao cliente, e a CVM esclareceu em janeiro de 2026 que valores pagos por emissores ou distribuidores precisam ser integralmente abatidos da taxa de consultoria.
- Na assessoria de investimentos: a Resolução CVM 178/2023 proíbe o assessor de receber valores de clientes, salvo por serviços complementares e não conflitantes. Quando há fee, ele é cobrado pela corretora, que repassa parte ao assessor e, conforme o contrato, devolve ao cliente os rebates de fundos, o chamado cashback de comissões.
- Forma de cobrança: percentual anual sobre o patrimônio, em geral debitado mensal ou trimestralmente da conta. Algumas ofertas usam faixas, com percentual menor para patrimônios maiores.
- Transparência: a Resolução CVM 179/2023 obriga o intermediário a descrever todas as formas de remuneração e, desde novembro de 2024, a informar os valores no momento da ordem e enviar extrato trimestral com o total recebido, até 30 dias após o fim de cada trimestre.
Exemplo de fee fixo com números
Valores ilustrativos: carteira de R$ 800.000,00, metade em fundos com taxa de administração de 1,5% ao ano e metade em títulos de renda fixa comprados com spread de 0,5% para o distribuidor. Do 1,5% dos fundos, 0,6% volta ao distribuidor como rebate. No cenário com fee, a taxa é de 0,6% ao ano, o rebate é devolvido ao cliente e a renda fixa é comprada sem spread.
Neste caso, o modelo com fee sai R$ 400,00 mais caro por ano. Com fee de 0,5%, o custo cairia para R$ 7.600,00 e o fee passaria a ser mais barato. A conta muda com a taxa negociada, com o peso de fundos e renda fixa e com a política de devolução. O ganho mais claro do fee está no incentivo: o profissional deixa de ganhar mais ao trocar sua carteira por produtos de taxa maior.
Fee fixo e comissão: qual a diferença
Fee fixo
- Pago pelo cliente, em valor visível no extrato.
- Remuneração cresce com o patrimônio do cliente.
- Cobrado mesmo em períodos sem movimentação.
Comissão
- Embutida em taxas de fundos, spreads e corretagem.
- Remuneração cresce com o volume e o tipo de produto vendido.
- Parece gratuita, mas o custo aparece no rendimento.
Para carteiras pequenas, concentradas em títulos públicos ou produtos de baixo custo, o modelo comissionado pode sair mais barato. Para carteiras com muitos fundos e trocas frequentes, o fee tende a reduzir custo e conflito.
Como usar o fee fixo nas suas decisões
- Some todos os custos dos dois modelos. Compare fee, taxas dos fundos, spreads e corretagem, em reais por ano.
- Pergunte o que acontece com os rebates. Devolução integral, parcial ou nenhuma muda bastante o custo final.
- Leia o extrato trimestral de remuneração. Ele mostra quanto a instituição recebeu com a sua carteira e serve de base para comparar com a proposta de fee.
- Confira quem cobra e com base em qual contrato. O consultor cobra diretamente; na assessoria, a cobrança vem da corretora.
- Avalie se o serviço justifica a taxa. Pergunte com que frequência haverá revisão da carteira, relatórios e conversas.
No diretório, é possível filtrar profissionais pela forma de remuneração.
Perguntas frequentes
Fee fixo é sempre mais barato que comissão?+
Não. Depende da taxa cobrada, dos produtos da carteira e da devolução dos rebates. Em carteiras com poucos fundos e muitos títulos públicos, o modelo comissionado pode custar menos. Faça a conta em reais por ano.
O que é cashback de comissões no fee fixo?+
É o repasse ao cliente da parte da taxa dos fundos que a gestora paga ao distribuidor. No fee, esse valor deixa de ser receita do distribuidor e volta para a conta do investidor, o que reduz o custo efetivo dos fundos.
Assessor de investimentos pode cobrar fee do cliente?+
Não, como regra. A Resolução CVM 178/2023 proíbe o assessor de receber valores de clientes, salvo por serviços complementares e não conflitantes. Por isso, nos modelos de fee da assessoria, quem cobra é a corretora. O consultor de investimentos, ao contrário, é pago diretamente pelo cliente.
Como saber quanto pago hoje em comissões?+
Pelo extrato trimestral que corretoras e distribuidores precisam enviar desde a Resolução CVM 179/2023, com a remuneração recebida discriminada por tipo. Some os extratos do ano e compare com a proposta de fee.