Pontos-chave
- A Selic meta é a taxa decidida pelo Copom; a Selic over (ou efetiva) é a taxa média que de fato ocorre no mercado a cada dia.
- O nome vem do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, onde os títulos públicos federais são registrados e negociados.
- Selic mais alta encarece o crédito, esfria o consumo e tende a reduzir a inflação; Selic mais baixa faz o contrário.
- Investimentos pós-fixados, como Tesouro Selic e CDBs atrelados ao CDI, acompanham a Selic quase de imediato.
- Títulos prefixados e híbridos (IPCA mais taxa fixa) reagem às expectativas para a Selic futura, e não só à taxa do dia.
O que é a Selic
Selic é a sigla de Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, o sistema do Banco Central em que são registrados e liquidados os títulos públicos federais. Os bancos fazem entre si, todos os dias, empréstimos de um dia garantidos por esses títulos, as chamadas operações compromissadas. A taxa média dessas operações ficou conhecida pelo nome do sistema: taxa Selic.
Essa taxa é a referência básica de juros do país. O Copom define uma meta para ela e o Banco Central compra e vende títulos no mercado para que a taxa praticada fique perto da meta. Como nenhum banco empresta ao público abaixo do que consegue obter emprestando ao governo com segurança, a Selic funciona como um piso para os demais juros da economia.
Como funciona a Selic: meta, over e efeito na economia
Há duas taxas Selic, a meta e a over, e elas não são idênticas. No noticiário, "a Selic" quase sempre é a meta.
- Selic meta: a taxa anunciada pelo Copom ao fim de cada reunião, em percentual ao ano. É a decisão de política monetária, válida até a reunião seguinte.
- Selic over (ou efetiva): a média ponderada das taxas das operações compromissadas de um dia registradas no sistema Selic. É calculada e divulgada diariamente pelo Banco Central e costuma ficar um pouco abaixo da meta.
- Uso nos investimentos: o Tesouro Selic é corrigido pela Selic over do dia, e não pela meta. O CDI, que remunera a maior parte dos CDBs, anda muito próximo da Selic over; quando há poucas operações entre bancos no dia, a B3 adota a própria Selic over como taxa DI.
A transmissão para o resto da economia leva tempo. Quando a Selic sobe, bancos cobram mais em empréstimos e financiamentos, o crédito fica mais caro, as famílias e empresas gastam menos e a pressão sobre os preços diminui. O Banco Central estima que o efeito pleno sobre a inflação leve vários trimestres. Para o investidor, o efeito é mais rápido: aplicações pós-fixadas passam a render mais já no dia seguinte, enquanto títulos prefixados, híbridos (IPCA mais taxa fixa) e ações costumam cair quando o mercado passa a esperar juros maiores.
A decisão mais recente, os comunicados e a série diária da Selic over ficam no site do Banco Central.
Exemplo de rendimento pela Selic com números
Os títulos atrelados à Selic rendem pela taxa over, convertida para um fator diário com base em 252 dias úteis. Suponha uma Selic meta de 12% ao ano e uma Selic over de 11,90% ao ano, mantidas por um mês com 21 dias úteis. Os valores são ilustrativos e não consideram impostos.
O rendimento de R$ 941,37 vem da taxa efetiva. Se o cálculo usasse a meta de 12%, o resultado seria um pouco maior. A diferença é pequena num mês, mas explica por que um título "100% Selic" não rende exatamente a taxa anunciada na TV.
Selic meta e Selic over: qual a diferença
Selic meta
- Definida pelo Copom em reunião, a cada 45 dias.
- Fica fixa até a próxima decisão.
- É a taxa citada no noticiário e nos comunicados do Banco Central.
Selic over
- Apurada todos os dias a partir das operações de um dia entre instituições.
- Varia levemente de um dia para outro, perto da meta.
- É a taxa usada para corrigir o Tesouro Selic.
A meta é a intenção do Banco Central; a over é o resultado que ele consegue no mercado. Na prática, a distância entre as duas é pequena e estável, por isso o mercado trata as duas quase como sinônimos. Quem compara rentabilidades com precisão deve usar a over.
Como usar a Selic nas suas decisões
- Use a Selic como régua para a renda fixa conservadora. Uma aplicação de baixo risco e liquidez parecida que, depois de impostos e custos, rende menos que o Tesouro Selic líquido precisa de uma boa justificativa.
- Observe a direção esperada dos juros. Prefixados e híbridos (IPCA+) ganham valor quando o mercado passa a esperar cortes e perdem quando espera altas.
- Leia o comunicado e a ata do Copom. Eles indicam se o Banco Central pretende continuar subindo, cortando ou manter a taxa, e é isso que move os preços dos títulos.
- Revise dívidas quando a Selic muda. Com a Selic em queda, pode valer renegociar empréstimos caros; com a Selic em alta, evite novas dívidas com juros pós-fixados.
- Pergunte ao seu assessor ou consultor como a carteira reage a juros. Um profissional deve explicar quanto da carteira ganha com a Selic alta e quanto sofre com ela, sem depender de uma aposta única.
Perguntas frequentes
Quem define a Selic?+
O Copom, comitê formado pelo presidente e pelos diretores do Banco Central. Ele se reúne a cada 45 dias e anuncia a nova meta ao fim do segundo dia de reunião.
Selic e CDI são a mesma coisa?+
Não. A Selic over é a taxa das operações de um dia lastreadas em títulos públicos; a taxa DI, base do CDI, é a média dos empréstimos de um dia entre bancos sem esse lastro, apurada pela B3. As duas andam muito próximas, por isso CDB a 100% do CDI e Tesouro Selic rendem parecido antes de custos e impostos.
Selic alta é boa para a renda fixa?+
Para as aplicações pós-fixadas, sim: elas passam a render mais, com baixo risco. Em contrapartida, o crédito fica mais caro e a economia cresce menos, o que costuma pesar sobre ações e empresas endividadas.
Onde consultar a taxa Selic oficial?+
No site do Banco Central, que publica a meta definida pelo Copom e a série diária da Selic over, além dos comunicados e atas das reuniões.