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Renda fixa

Pós-fixado

Pós-fixado é o título de renda fixa cujo rendimento acompanha um indicador que varia ao longo do tempo, em geral o CDI ou a Selic. Um CDB que paga 100% do CDI e o Tesouro Selic são os exemplos mais comuns. Títulos que pagam IPCA mais uma taxa fixa também seguem um índice, mas o mercado costuma chamá-los de híbridos, porque parte do retorno é prefixada.

Atualizado em outubro de 20266 min de leitura

Pontos-chave

  • No pós-fixado, o investidor conhece a regra de remuneração, mas o rendimento final depende do indicador no período.
  • No uso de mercado, pós-fixado quer dizer CDI ou Selic; IPCA mais taxa é chamado de híbrido.
  • A remuneração pode ser um percentual do CDI (100% do CDI) ou o CDI mais uma taxa (CDI + 1,5% ao ano).
  • Como o rendimento se ajusta aos juros, o preço quase não oscila e a venda antecipada raramente gera perda relevante.
  • O pós-fixado tende a se sair melhor quando os juros sobem depois da aplicação.

O que é um título pós-fixado

Um título pós-fixado paga um percentual de um indicador de juros: o investidor conhece a regra, mas não o resultado. Um CDB a 100% do CDI rende o que o CDI render no período, seja ele alto ou baixo. Na renda fixa, a remuneração pode ser combinada de três jeitos: uma taxa definida no dia da compra (prefixado), um percentual de um indicador de juros (pós-fixado) ou uma taxa fixa somada à inflação (híbrido).

O termo tem um uso amplo e um uso de mercado. Em sentido amplo, qualquer título atrelado a um índice é pós-fixado, e o material didático do Tesouro Direto inclui os títulos corrigidos pelo IPCA nesse grupo. No dia a dia de bancos, corretoras e casas de análise, porém, "pós-fixado" quase sempre quer dizer CDI ou Selic, e o título que paga IPCA mais uma taxa é chamado de híbrido, porque junta uma parte prefixada (a taxa) e uma parte pós-fixada (a inflação). Neste verbete, vale a convenção de mercado.

Como funciona um título pós-fixado na prática

  • Indexadores: o CDI, taxa média dos empréstimos de um dia entre bancos, é a referência de CDBs, LCIs, LCAs e muitas debêntures. A Selic, taxa básica definida pelo Copom, remunera o Tesouro Selic. As duas andam muito próximas.
  • Forma de contratar: a remuneração aparece como percentual do indicador (95% do CDI, 110% do CDI) ou como indicador mais uma taxa (CDI + 1,5% ao ano), formato comum em títulos de crédito privado.
  • Reação aos juros: quando a Selic sobe, o rendimento sobe junto nos dias seguintes; quando cai, o rendimento cai. Por isso o preço desses títulos quase não oscila com a marcação a mercado, ao contrário do que acontece com prefixados e híbridos.
  • Uso típico: reserva de emergência e dinheiro sem data certa de uso, já que a venda antecipada de um título com liquidez diária tende a não gerar perda relevante.

Exemplo de pós-fixado e prefixado com números

Compare R$ 10.000 aplicados por dois anos em um título a 100% do CDI e em um prefixado a 11,5% ao ano. Os valores são ilustrativos e não descontam imposto de renda.

R$ 10.000 · 2 anos · 100% do CDI contra prefixado de 11,5% a.a.
CDI no 1º ano12,00%
CDI no 2º ano10,00%
Saldo final no pós-fixadoR$ 12.320,00
Saldo final no prefixadoR$ 12.432,25
Diferença a favor do prefixadoR$ 112,25

Com o CDI caindo de 12% para 10%, a média ficou perto de 11% ao ano, abaixo dos 11,5% travados no prefixado. Se o CDI tivesse subido para 14% no segundo ano, o pós-fixado terminaria com R$ 12.768,00 e passaria à frente. O pós-fixado acompanha o cenário que vier; o prefixado só ganha se a taxa contratada superar os juros que de fato ocorrerem.

Pós-fixado e prefixado: qual a diferença

Pós-fixado

  • Rendimento segue o CDI ou a Selic e só é conhecido ao longo do prazo.
  • Ganha ritmo quando os juros sobem e perde quando caem.
  • Preço estável, adequado a quem pode precisar resgatar antes.

Prefixado

  • Taxa fixa, conhecida no dia da compra.
  • Leva vantagem se os juros do período ficarem abaixo da taxa contratada.
  • Preço oscila com os juros, e a venda antecipada pode dar ganho ou perda.

O híbrido (IPCA mais taxa) fica entre os dois: protege contra a inflação, mas a parte fixa faz o preço oscilar como o de um prefixado, com mais intensidade nos vencimentos longos.

Como usar pós-fixados nas suas decisões

  1. Compare percentuais do CDI depois do imposto. Um CDB a 100% do CDI com imposto de 15% equivale a 85% do CDI líquido; uma LCI ou LCA a 90% do CDI, isenta para pessoa física pelas regras em vigor, rende mais.
  2. Use para dinheiro sem data certa. Reserva de emergência e valores que podem ser sacados a qualquer momento combinam com títulos de liquidez diária e preço estável.
  3. Confira a liquidez, além do indexador. Um CDB a 110% do CDI com resgate só no vencimento, daqui a três anos, não serve como reserva, mesmo sendo pós-fixado.
  4. Separe pós-fixados de híbridos na carteira. CDI e IPCA+ reagem de forma diferente a juros e inflação; somá-los na mesma categoria esconde o risco de preço dos híbridos.
  5. Pergunte ao profissional qual parte da carteira é pós, pré e híbrida. Um assessor de investimentos, consultor de investimentos ou planejador financeiro CFP deve explicar a proporção de cada grupo e o motivo dela.

Perguntas frequentes

Tesouro IPCA+ é pós-fixado?+

Depende da classificação. O material didático do Tesouro Direto coloca os títulos corrigidos pelo IPCA entre os pós-fixados, por seguirem um índice. No mercado, o Tesouro IPCA+ costuma ser chamado de híbrido, porque paga uma taxa fixa mais a inflação, e o preço dele oscila bastante antes do vencimento.

O que significa CDI + 2% ao ano?+

O título rende o CDI do período mais 2 pontos percentuais ao ano. Esse formato é comum em debêntures e outros títulos de crédito privado, em que a taxa adicional remunera o risco de o emissor não pagar.

Pós-fixado pode dar prejuízo?+

Pode, mas o risco ligado à variação dos juros é pequeno. O relevante é o de crédito: se o emissor quebrar, o investidor depende da cobertura do FGC, quando o título tem essa garantia, ou da recuperação do crédito. Títulos privados vendidos no mercado secundário também podem sair com desconto em momentos de estresse.

Quando o pós-fixado rende mais que o prefixado?+

Quando os juros efetivos do período ficam acima da taxa que o prefixado pagava na data da compra. Se a Selic sobe depois da aplicação, o pós-fixado tende a ganhar; se cai, o prefixado contratado antes tende a levar vantagem.

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