Pontos-chave
- No pós-fixado, o investidor conhece a regra de remuneração, mas o rendimento final depende do indicador no período.
- No uso de mercado, pós-fixado quer dizer CDI ou Selic; IPCA mais taxa é chamado de híbrido.
- A remuneração pode ser um percentual do CDI (100% do CDI) ou o CDI mais uma taxa (CDI + 1,5% ao ano).
- Como o rendimento se ajusta aos juros, o preço quase não oscila e a venda antecipada raramente gera perda relevante.
- O pós-fixado tende a se sair melhor quando os juros sobem depois da aplicação.
O que é um título pós-fixado
Um título pós-fixado paga um percentual de um indicador de juros: o investidor conhece a regra, mas não o resultado. Um CDB a 100% do CDI rende o que o CDI render no período, seja ele alto ou baixo. Na renda fixa, a remuneração pode ser combinada de três jeitos: uma taxa definida no dia da compra (prefixado), um percentual de um indicador de juros (pós-fixado) ou uma taxa fixa somada à inflação (híbrido).
O termo tem um uso amplo e um uso de mercado. Em sentido amplo, qualquer título atrelado a um índice é pós-fixado, e o material didático do Tesouro Direto inclui os títulos corrigidos pelo IPCA nesse grupo. No dia a dia de bancos, corretoras e casas de análise, porém, "pós-fixado" quase sempre quer dizer CDI ou Selic, e o título que paga IPCA mais uma taxa é chamado de híbrido, porque junta uma parte prefixada (a taxa) e uma parte pós-fixada (a inflação). Neste verbete, vale a convenção de mercado.
Como funciona um título pós-fixado na prática
- Indexadores: o CDI, taxa média dos empréstimos de um dia entre bancos, é a referência de CDBs, LCIs, LCAs e muitas debêntures. A Selic, taxa básica definida pelo Copom, remunera o Tesouro Selic. As duas andam muito próximas.
- Forma de contratar: a remuneração aparece como percentual do indicador (95% do CDI, 110% do CDI) ou como indicador mais uma taxa (CDI + 1,5% ao ano), formato comum em títulos de crédito privado.
- Reação aos juros: quando a Selic sobe, o rendimento sobe junto nos dias seguintes; quando cai, o rendimento cai. Por isso o preço desses títulos quase não oscila com a marcação a mercado, ao contrário do que acontece com prefixados e híbridos.
- Uso típico: reserva de emergência e dinheiro sem data certa de uso, já que a venda antecipada de um título com liquidez diária tende a não gerar perda relevante.
Exemplo de pós-fixado e prefixado com números
Compare R$ 10.000 aplicados por dois anos em um título a 100% do CDI e em um prefixado a 11,5% ao ano. Os valores são ilustrativos e não descontam imposto de renda.
Com o CDI caindo de 12% para 10%, a média ficou perto de 11% ao ano, abaixo dos 11,5% travados no prefixado. Se o CDI tivesse subido para 14% no segundo ano, o pós-fixado terminaria com R$ 12.768,00 e passaria à frente. O pós-fixado acompanha o cenário que vier; o prefixado só ganha se a taxa contratada superar os juros que de fato ocorrerem.
Pós-fixado e prefixado: qual a diferença
Pós-fixado
- Rendimento segue o CDI ou a Selic e só é conhecido ao longo do prazo.
- Ganha ritmo quando os juros sobem e perde quando caem.
- Preço estável, adequado a quem pode precisar resgatar antes.
Prefixado
- Taxa fixa, conhecida no dia da compra.
- Leva vantagem se os juros do período ficarem abaixo da taxa contratada.
- Preço oscila com os juros, e a venda antecipada pode dar ganho ou perda.
O híbrido (IPCA mais taxa) fica entre os dois: protege contra a inflação, mas a parte fixa faz o preço oscilar como o de um prefixado, com mais intensidade nos vencimentos longos.
Como usar pós-fixados nas suas decisões
- Compare percentuais do CDI depois do imposto. Um CDB a 100% do CDI com imposto de 15% equivale a 85% do CDI líquido; uma LCI ou LCA a 90% do CDI, isenta para pessoa física pelas regras em vigor, rende mais.
- Use para dinheiro sem data certa. Reserva de emergência e valores que podem ser sacados a qualquer momento combinam com títulos de liquidez diária e preço estável.
- Confira a liquidez, além do indexador. Um CDB a 110% do CDI com resgate só no vencimento, daqui a três anos, não serve como reserva, mesmo sendo pós-fixado.
- Separe pós-fixados de híbridos na carteira. CDI e IPCA+ reagem de forma diferente a juros e inflação; somá-los na mesma categoria esconde o risco de preço dos híbridos.
- Pergunte ao profissional qual parte da carteira é pós, pré e híbrida. Um assessor de investimentos, consultor de investimentos ou planejador financeiro CFP deve explicar a proporção de cada grupo e o motivo dela.
Perguntas frequentes
Tesouro IPCA+ é pós-fixado?+
Depende da classificação. O material didático do Tesouro Direto coloca os títulos corrigidos pelo IPCA entre os pós-fixados, por seguirem um índice. No mercado, o Tesouro IPCA+ costuma ser chamado de híbrido, porque paga uma taxa fixa mais a inflação, e o preço dele oscila bastante antes do vencimento.
O que significa CDI + 2% ao ano?+
O título rende o CDI do período mais 2 pontos percentuais ao ano. Esse formato é comum em debêntures e outros títulos de crédito privado, em que a taxa adicional remunera o risco de o emissor não pagar.
Pós-fixado pode dar prejuízo?+
Pode, mas o risco ligado à variação dos juros é pequeno. O relevante é o de crédito: se o emissor quebrar, o investidor depende da cobertura do FGC, quando o título tem essa garantia, ou da recuperação do crédito. Títulos privados vendidos no mercado secundário também podem sair com desconto em momentos de estresse.
Quando o pós-fixado rende mais que o prefixado?+
Quando os juros efetivos do período ficam acima da taxa que o prefixado pagava na data da compra. Se a Selic sobe depois da aplicação, o pós-fixado tende a ganhar; se cai, o prefixado contratado antes tende a levar vantagem.