Pontos-chave
- A taxa é fixada na compra, e o valor de resgate no vencimento é conhecido desde o início.
- O preço anda no sentido contrário dos juros: taxa sobe, preço cai; taxa cai, preço sobe.
- Quanto mais longo o prazo, maior a oscilação de preço para a mesma mudança de taxa.
- A perda mostrada no extrato só se concretiza se o título for vendido antes do vencimento.
- Comparado ao IPCA+ (título híbrido), o prefixado ganha quando a inflação fica abaixo da inflação implícita nas taxas.
O que é um título prefixado
No prefixado, o investidor empresta dinheiro a uma taxa fechada na compra. No Tesouro Prefixado, o título paga R$ 1.000,00 por unidade no vencimento, e o preço de compra é esse valor descontado pela taxa do dia: quanto maior a taxa, menor o preço. CDBs, LCIs, LCAs e debêntures também podem ser prefixados.
A previsibilidade vale para quem fica até o fim. Se os juros do mercado sobem depois da compra, títulos novos passam a pagar mais, e o seu só encontra comprador com desconto. Se os juros caem, acontece o contrário e o título se valoriza. Esse ajuste diário de preço é a marcação a mercado.
Como o preço do prefixado reage aos juros
- Relação inversa: taxa sobe, preço cai; taxa cai, preço sobe. Vender abaixo do valor contratado é vender com deságio; acima, com ágio.
- O prazo amplia o efeito: quanto mais longe o vencimento, maior a oscilação para a mesma mudança de taxa. Essa sensibilidade é medida pela duration.
- Venda antes do vencimento: no Tesouro Direto, o Tesouro Nacional recompra os títulos diariamente pelo valor de mercado. Em CDBs e outros papéis bancários, a venda antecipada depende de o título ter liquidez e do preço oferecido.
- Com ou sem cupom: o Tesouro Prefixado paga tudo no vencimento; a versão com juros semestrais devolve parte do rendimento a cada seis meses, o que reduz a oscilação e antecipa a cobrança de imposto sobre esses juros.
Exemplo de título prefixado com números
Um Tesouro Prefixado com vencimento em três anos é comprado a 12% ao ano. Logo depois, a taxa de mercado para o mesmo título sobe para 14%. Os valores são ilustrativos, por unidade de título, com prazos em anos inteiros e sem impostos e taxas.
Quem vendesse logo após a alta perderia 5,17%. Quem vendesse um ano depois, com a taxa ainda em 14%, teria ganho 8,10% no período, abaixo dos 12% contratados. Quem esperasse o vencimento receberia R$ 1.000,00 por título e os 12% ao ano, porque a oscilação no meio do caminho desaparece no prazo final.
Prefixado e IPCA+: qual a diferença
O IPCA+ é chamado no mercado de híbrido: soma uma taxa fixa, como a do prefixado, à variação da inflação.
Prefixado
- Taxa nominal fixa, sem correção pela inflação.
- Ganha se inflação e juros ficarem abaixo do que o mercado esperava na compra.
- Valor de resgate conhecido em reais.
IPCA+
- Paga a variação do IPCA mais uma taxa real fixa.
- Protege o poder de compra se a inflação surpreender para cima.
- Valor de resgate conhecido só em termos reais.
Os dois oscilam com a marcação a mercado, e o IPCA+ de prazo longo costuma oscilar mais. A comparação prática passa pela inflação implícita: se o prefixado paga 13% ao ano e o IPCA+ do mesmo prazo paga IPCA + 7%, o prefixado só sai na frente se a inflação média ficar abaixo de cerca de 5,61% ao ano.
Como usar títulos prefixados nas suas decisões
- Alinhe o vencimento ao objetivo. Se o dinheiro tem data para ser usado, escolha um prefixado que vença perto dela e não dependa do preço de mercado.
- Não use prefixado longo como reserva de emergência. Uma alta de juros na hora errada pode obrigar a vender com perda.
- Leia a oscilação do extrato pelo que ela é. Queda no saldo após alta de juros só vira prejuízo se houver venda; quem segura até o fim recebe a taxa contratada.
- Compare com o pós-fixado e o híbrido (IPCA+) do mesmo prazo. A taxa do prefixado já embute expectativas de juros e inflação; a pergunta útil é em que cenário cada opção ganha.
- Avalie a venda com ágio com contas na mão. Se os juros caíram e o título se valorizou, vender antes antecipa parte do retorno, mas o dinheiro terá de ser reinvestido a taxas menores.
Perguntas frequentes
Prefixado vale a pena quando os juros estão altos?+
Pode valer para quem leva o título até o vencimento: travar uma taxa alta favorece esse investidor se os juros caírem depois. O risco é a taxa subir ainda mais. Como ninguém sabe o rumo dos juros, o prazo deve seguir o objetivo do dinheiro, e não uma aposta.
Por que meu Tesouro Prefixado está rendendo negativo?+
Porque a taxa de mercado subiu desde a compra e o preço caiu pela marcação a mercado. O valor exibido é o que você receberia vendendo hoje. Mantido até o vencimento, o título paga a taxa contratada.
Dá para vender prefixado antes do vencimento?+
No Tesouro Direto, sim, pelo preço de mercado do dia, porque o Tesouro Nacional recompra os títulos diariamente. Em CDBs, LCIs e LCAs prefixados, depende das condições de cada título, e muitos não permitem resgate antes do prazo.
Prefixado tem imposto de renda?+
Sim, na maioria dos títulos: o rendimento segue a tabela regressiva de imposto de renda, de 22,5% a 15% conforme o prazo. LCI, LCA e alguns outros títulos são isentos para pessoa física pelas regras em vigor.