Pontos-chave
- Os títulos vendidos hoje são Tesouro Selic, Prefixado, IPCA+, RendA+, Educa+ e, desde maio de 2026, Tesouro Reserva.
- Desde novembro de 2024, o mínimo é 1% do preço do título, sem o antigo piso de R$ 30.
- A B3 cobra taxa de custódia de 0,20% ao ano; no Tesouro Selic e no Tesouro Reserva, há isenção até R$ 10 mil.
- O Tesouro recompra os títulos diariamente, mas pelo preço de mercado, que pode estar abaixo do preço de compra.
- Os títulos não têm cobertura do FGC; o risco é o do governo federal, considerado o mais baixo do país.
O que é o Tesouro Direto
O Tesouro Direto abriu à pessoa física a compra de títulos públicos: pela conta em uma corretora ou banco habilitado, qualquer um compra esses papéis com pouco dinheiro e acompanha o investimento pela internet. O governo federal se financia emitindo títulos de dívida, que até 2002 eram vendidos quase só a bancos e grandes investidores.
A B3 faz a custódia dos títulos, isto é, guarda e registra em nome do investidor. Por isso, se a corretora quebrar, os títulos continuam no CPF do cliente. O risco de crédito é o do Tesouro Nacional, que tem a melhor qualidade de crédito em reais. Os títulos não contam com o FGC, porque não são emitidos por bancos.
Como funciona o Tesouro Direto: títulos, mínimos, taxas e horários
Os títulos vendidos hoje são estes:
- Tesouro Selic: pós-fixado, rende a Selic e oscila pouco. Indicado para reserva e prazos curtos.
- Tesouro Prefixado: taxa fixa definida na compra, com versão que paga juros semestrais.
- Tesouro IPCA+: híbrido, paga a inflação mais uma taxa fixa, com e sem juros semestrais.
- Tesouro RendA+ e Tesouro Educa+: atrelados ao IPCA, pagam renda mensal por 20 anos (240 parcelas, aposentadoria) ou por 5 anos (educação).
- Tesouro Reserva: lançado em maio de 2026, rende 100% da Selic sem marcação a mercado, aceita aplicações e resgates a partir de R$ 1 e opera todos os dias, exceto entre 0h e 1h. No lançamento, só um banco parceiro o oferecia.
O investimento mínimo é 1% do preço unitário do título, e o valor varia conforme o papel. O limite é de R$ 2 milhões por mês. A B3 cobra taxa de custódia de 0,20% ao ano sobre o valor dos títulos, provisionada diariamente e descontada na venda, no vencimento ou no pagamento de juros. No Tesouro Selic, a taxa não incide sobre os primeiros R$ 10 mil por CPF, e o Tesouro Reserva também tem isenção até R$ 10 mil. RendA+ e Educa+ têm regras próprias de isenção. Muitas corretoras não cobram taxa própria.
As negociações com preço do momento ocorrem em dias úteis, das 9h30 às 18h. Fora desse horário, é possível agendar a operação para o dia útil seguinte. O Tesouro Reserva é a exceção, com operação também à noite e nos fins de semana. O imposto de renda segue a tabela regressiva (de 22,5% a 15%, conforme o prazo) e há IOF sobre resgates em menos de 30 dias.
Quanto custa investir no Tesouro Direto: exemplo com números
Uma pessoa mantém três títulos no Tesouro Direto e quer estimar quanto paga de taxa de custódia em um ano. Os valores são ilustrativos e consideram o saldo constante para simplificar.
A taxa equivale a cerca de 0,17% do total por ano. Ela é baixa, mas não some: em um título que rende pouco acima da inflação, cada décimo de ponto pesa no resultado de longo prazo. Por isso a isenção parcial no Tesouro Selic favorece quem usa o título para valores menores, como a reserva de emergência.
Tesouro Direto e CDB: qual a diferença
Tesouro Direto
- Empréstimo ao governo federal.
- Sem FGC; risco do Tesouro Nacional.
- Liquidez diária pelo preço de mercado, que pode gerar ganho ou perda antes do vencimento.
- Taxa de custódia de 0,20% ao ano cobrada pela B3.
CDB
- Empréstimo a um banco.
- Coberto pelo FGC até R$ 250 mil por CPF por conglomerado.
- Liquidez varia: diária, no vencimento ou com carência.
- Sem taxa de custódia para o investidor, em geral.
Os dois seguem a mesma tabela regressiva de imposto de renda. CDBs de bancos menores costumam pagar mais que o Tesouro para compensar o risco maior do emissor, e a garantia do FGC tem limite. Comparar só a taxa, sem olhar emissor, prazo e liquidez, leva a escolhas ruins.
Como usar o Tesouro Direto nas suas decisões
- Escolha o título pelo prazo do objetivo. Tesouro Selic para reserva e curto prazo; IPCA+ e RendA+ para objetivos de muitos anos.
- Entenda a marcação a mercado antes de comprar títulos longos. Vender um prefixado ou IPCA+ antes do vencimento pode dar prejuízo se os juros subirem.
- Inclua a custódia e o imposto na conta. Compare o rendimento líquido com CDBs e fundos de mesma liquidez e risco.
- Verifique as condições da sua corretora. Algumas instituições não oferecem todos os títulos, como o Tesouro Reserva no início.
- Peça ao profissional que explica a carteira para justificar a escolha. Assessores de investimentos e consultores devem explicar por que um título público ou um CDB serve melhor ao seu objetivo, e como são remunerados em cada caso.
Perguntas frequentes
Qual o valor mínimo para investir no Tesouro Direto?+
1% do preço unitário do título, desde novembro de 2024, sem o antigo piso de R$ 30. No Tesouro Reserva, a aplicação mínima é de R$ 1.
Dá para perder dinheiro no Tesouro Direto?+
Sim, se vender antes do vencimento: o preço de mercado do dia pode estar abaixo do valor pago, sobretudo em prefixados e IPCA+ longos. Mantido até o vencimento, o título paga a rentabilidade contratada.
Tesouro Direto tem garantia do FGC?+
Não. O FGC cobre depósitos em bancos. Os títulos públicos têm como garantia o próprio Tesouro Nacional e ficam registrados na B3 em nome do investidor.
Quanto tempo demora para o dinheiro do Tesouro Direto cair na conta?+
Vendas feitas em dia útil até 13h são liquidadas no mesmo dia; depois disso, no dia útil seguinte. No Tesouro Reserva, segundo o Tesouro, o resgate é recebido de forma imediata.