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Renda fixa

Marcação a mercadoMark to market

Marcação a mercado é a atualização diária do preço de um ativo pelo valor que ele alcançaria se fosse vendido naquele dia. Na renda fixa, o preço de um título passa a refletir as taxas de juros negociadas no mercado, e não só a taxa contratada na compra. Por isso o saldo de um prefixado ou de um IPCA+ pode cair ou subir antes do vencimento.

Atualizado em outubro de 20265 min de leitura

Pontos-chave

  • O preço marcado a mercado é calculado com a taxa de hoje; o preço na curva, com a taxa da compra.
  • Desde 2002, por norma do Banco Central e da CVM, fundos registram os títulos pelo valor de mercado.
  • No Tesouro Direto, o saldo exibido e o valor da venda antecipada seguem o preço de mercado.
  • A perda causada por alta de juros só se realiza se o título for vendido antes do vencimento.
  • No vencimento, o valor de mercado e o valor da curva se encontram.

O que é a marcação a mercado

Marcar a mercado é recalcular o preço do seu título usando a taxa de hoje, o que mostra quanto ele vale para quem quiser comprá-lo agora. Um título comprado a 11% ao ano rende, pela conta da compra, 11% ao ano todos os dias até o vencimento; esse caminho é chamado de curva do papel. O mercado, porém, continua negociando títulos parecidos a taxas que mudam diariamente.

A regra existe para que o preço reflita a realidade. Um fundo que mostrasse seus títulos pela curva poderia pagar a quem resgata mais do que os ativos valem, transferindo a perda para quem fica. Por isso, desde maio de 2002, normas do Banco Central e da CVM determinaram que os fundos de investimento registrassem os títulos da carteira pelo valor de mercado, com efeito imediato no valor da cota.

Onde a marcação a mercado aparece

  • Tesouro Direto: o Tesouro Nacional recompra os títulos todos os dias pelo valor de mercado. O saldo exibido ao investidor é esse valor, que pode estar acima ou abaixo do valor pela curva.
  • Fundos de renda fixa: a cota de cada dia reflete os preços de mercado dos títulos da carteira. Uma alta de juros derruba a cota de fundos com prefixados ou híbridos (IPCA+) longos, e quem resgata recebe o valor do dia.
  • Títulos bancários: em muitas instituições, CDBs, LCIs e LCAs aparecem no extrato pelo valor da curva, já que vários nem podem ser vendidos antes do prazo. Vale conferir qual critério o extrato usa. Se houver venda antecipada, o preço oferecido segue as condições de mercado.
  • Pós-fixados: títulos atrelados à Selic ou ao CDI oscilam pouco, porque o rendimento se ajusta junto com os juros.

Exemplo de marcação a mercado com números

Um investidor aplica R$ 10.000 em um prefixado de quatro anos a 11% ao ano. Um ano depois, a taxa de mercado para os três anos restantes sobe para 13%. Os valores são ilustrativos, sem impostos e taxas.

Prefixado de R$ 10.000 · 4 anos · taxa sobe de 11% para 13%
Valor de resgate no vencimentoR$ 15.180,70
Valor pela curva após 1 ano (11% a.a.)R$ 11.100,00
Valor marcado a mercado após 1 ano (13% a.a.)R$ 10.520,99
Diferença em relação à curva−R$ 579,01
Valor no vencimento, em qualquer casoR$ 15.180,70

Depois de um ano, o título rendeu 5,21% marcado a mercado, menos da metade dos 11% contratados. A perda só se realiza se houver venda. Com a taxa estável, a distância entre o valor de mercado e o da curva diminui a cada dia, e no vencimento os dois chegam aos mesmos R$ 15.180,70.

Marcação a mercado e marcação na curva: qual a diferença

Marcação a mercado

  • Preço calculado pela taxa negociada hoje.
  • Oscila com juros, inflação esperada e risco do emissor.
  • Mostra quanto se receberia vendendo agora.

Marcação na curva

  • Preço calculado pela taxa contratada na compra.
  • Cresce de forma suave e previsível até o vencimento.
  • Mostra quanto o título valerá se ficar até o fim.

Os dois valores convergem no vencimento. A diferença entre eles, em qualquer dia, é o ganho ou a perda que o investidor realizaria se vendesse naquele momento.

Como usar a marcação a mercado nas suas decisões

  1. Separe oscilação de prejuízo. Saldo menor após alta de juros não muda o que um título levado ao vencimento vai pagar.
  2. Escolha prazos que você consiga carregar. A marcação a mercado só machuca quem precisa vender na hora errada.
  3. Olhe a duration do fundo antes de investir. Fundos com títulos longos têm cotas que caem quando os juros sobem, e o resgate é feito pelo valor do dia.
  4. Use a marcação a seu favor quando os juros caírem. Se o título se valorizou, vender antes e reinvestir pode fazer sentido; compare o ganho com o que você deixaria de receber até o vencimento.
  5. Desconfie de extrato longo que nunca oscila. Um produto de renda fixa de prazo longo que sobe sempre em linha reta pode estar sendo mostrado pela curva, sem revelar quanto valeria numa venda.

Perguntas frequentes

Marcação a mercado dá prejuízo no Tesouro Direto?+

Só se você vender antes do vencimento quando o preço estiver abaixo do que pagou. Mantido até o vencimento, o título paga a taxa contratada, descontados o imposto de renda e a taxa de custódia.

Por que fundos DI quase não oscilam?+

Porque investem principalmente em títulos pós-fixados, cujo rendimento acompanha o CDI ou a Selic. A marcação a mercado também vale para eles, mas o efeito no preço é pequeno.

Todo fundo é obrigado a marcar a mercado?+

Como regra, sim: desde 2002, os fundos registram os ativos pelo valor de mercado. As normas admitiram exceções restritas, como títulos classificados como mantidos até o vencimento em fundos com condições específicas, por exemplo de investidor único ou de investidores qualificados.

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