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Fundos

CotaCota de fundo de investimento

Cota é a menor fração do patrimônio de um fundo de investimento. Quem aplica em um fundo compra cotas, e o valor de cada uma é o patrimônio líquido da classe dividido pelo número de cotas emitidas, calculado em geral todos os dias. A variação da cota mostra a rentabilidade do fundo já descontadas as taxas, e os prazos de cotização definem qual cota vale em cada aplicação ou resgate.

Atualizado em outubro de 20265 min de leitura

Pontos-chave

  • Valor da cota = patrimônio líquido da classe ÷ número de cotas emitidas.
  • Cota de fechamento usa preços do fim do dia; cota de abertura usa o patrimônio do dia anterior atualizado.
  • Cotização define qual cota vale para a operação; liquidação é o pagamento em conta.
  • O come-cotas reduz o número de cotas do investidor, não o valor da cota.
  • A variação da cota já desconta taxas, mas não o imposto de renda do cotista.

O que é a cota de um fundo

Cota é a menor fração de um fundo de investimento. Quem aplica R$ 20.000 em um fundo não compra títulos ou ações diretamente: compra cotas, e cada cota representa uma parte igual do patrimônio da carteira. A Resolução CVM 175 define que o valor da cota resulta da divisão do patrimônio líquido da classe pelo número de cotas emitidas.

Quando os ativos da carteira se valorizam, o patrimônio cresce e a cota sobe. Quando caem, a cota cai. Taxas e despesas do fundo são descontadas antes do cálculo, por isso a variação da cota já mostra a rentabilidade líquida de custos, mas antes do imposto de renda do cotista.

Como funciona a cota de um fundo na prática

  • Cálculo diário: o administrador apura todo dia o valor dos ativos, desconta despesas e taxas provisionadas e divide pelo número de cotas. O valor da cota é divulgado diariamente na maioria dos fundos abertos.
  • Cota de fechamento: calculada com os preços de fechamento do dia. É a regra geral, usada por fundos de ações e multimercados: quem aplica não sabe o valor exato da cota no momento do pedido.
  • Cota de abertura: calculada a partir do patrimônio do dia anterior atualizado por um dia. A norma permite esse método para classes de renda fixa, entre outras, o que dá previsibilidade ao valor.
  • Cotização: é a conversão do pedido em cotas, ou de cotas em dinheiro. D+0 significa que a conversão usa a cota do próprio dia; D+30, a cota de 30 dias depois do pedido.
  • Liquidação: é o pagamento do resgate na conta, contado a partir da cotização. Um fundo pode ter cotização em D+30 e liquidação em D+2, por exemplo.
  • Come-cotas: em maio e novembro, o IR antecipado de fundos de renda fixa e multimercado é pago com cotas. O valor da cota não muda, mas o investidor fica com menos cotas.

Exemplo de cota de fundo com números

Os valores são ilustrativos. Um fundo tem patrimônio líquido de R$ 50 milhões e 400.000 cotas, e um investidor aplica R$ 20.000 nesse dia. Meses depois, com a cota de novo em R$ 125,00, ele pede o resgate total, mas o fundo tem cotização em D+30.

Aplicação e resgate com cotização em D+30
Valor da cota (R$ 50.000.000 ÷ 400.000)R$ 125,00
Cotas compradas com R$ 20.000160
Saldo no dia do pedido de resgate (cota a R$ 125,00)R$ 20.000,00
Cota na data de cotização, 30 dias depoisR$ 123,50
Valor bruto do resgateR$ 19.760,00

O investidor pediu o resgate quando a posição valia R$ 20.000, mas recebeu pela cota de 30 dias depois, R$ 240 a menos. Durante a cotização, o dinheiro continua exposto ao mercado. O come-cotas segue outra lógica: se essa cota subisse de R$ 125,00 para R$ 131,25 até maio, o rendimento de R$ 1.000 geraria R$ 150 de IR (15%), pagos com 1,1429 cota, e o investidor passaria a ter 158,8571 cotas.

Cotização e liquidação: qual a diferença

Cotização

  • Converte o pedido em cotas ou as cotas em valor.
  • Define qual cota vale para a operação (D+0, D+1, D+30...).
  • Até a data de cotização, o dinheiro segue exposto à variação da carteira.

Liquidação

  • É a transferência financeira para a conta do investidor.
  • Acontece depois da cotização, no prazo do regulamento.
  • O valor já está definido; só falta o crédito.

Na lâmina, os prazos aparecem separados, por exemplo "conversão do resgate: D+30; pagamento: D+2 da conversão". Somados, mostram em quantos dias o dinheiro chega de fato.

Como usar o valor da cota nas suas decisões

  1. Some cotização e liquidação antes de aplicar. D+30 mais D+2 significa receber cerca de um mês depois do pedido, o que exclui o fundo da reserva de emergência.
  2. Compare fundos pela variação da cota, não pelo valor dela. Uma cota de R$ 2 e outra de R$ 2.000 não dizem nada sobre qual é mais barata; importa quanto cada uma variou no período.
  3. Confira o número de cotas depois de maio e novembro. A redução causada pelo come-cotas é esperada e não indica perda.
  4. Lembre que a rentabilidade divulgada é antes do seu IR. Para comparar com um CDB ou LCI, desconte o imposto conforme o prazo.
  5. Evite resgatar por impulso em fundos com cotização longa. Em queda forte, o valor recebido será o da cota futura, que pode estar ainda mais baixa ou já recuperada.

Perguntas frequentes

Cota mais barata significa fundo mais barato?+

Não. O valor absoluto da cota depende de quando o fundo começou e de quanto rendeu desde então. Para comparar fundos, use a variação percentual da cota em períodos iguais.

O que significa D+0 e D+30?+

Indicam em quantos dias úteis ou corridos, conforme o regulamento, o pedido é convertido. D+0 usa a cota do próprio dia do pedido; D+30, a cota de 30 dias depois. O pagamento ainda depende do prazo de liquidação.

Por que minha quantidade de cotas diminuiu?+

Por causa do come-cotas, em fundos de renda fixa, cambiais e multimercados: em maio e novembro, o IR antecipado é pago com cotas do investidor. O saldo cai no valor do imposto, e a cota mantém o mesmo valor.

Cota de fundo imobiliário funciona do mesmo jeito?+

Em parte. O valor patrimonial da cota segue a mesma conta, mas no FII o investidor compra e vende na bolsa, a preço de mercado, que pode ficar acima ou abaixo desse valor patrimonial.

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