Quanto custa um assessor de investimentos em 2026
Quanto custa um assessor de investimentos em 2026: comissão, fee fixo ou honorários, com simulações de R$ 100 mil a R$ 5 milhões e o que a CVM obriga a informar.
Resposta rápida: em 2026, ter um assessor de investimentos custa, na maioria dos casos, entre 0,3% e 1,5% do patrimônio por ano. No modelo de comissão, o valor vem embutido nos produtos e depende do que você compra. No fee fixo, a taxa costuma ficar entre 0,5% e 1% ao ano e aparece na sua conta. Consultores de investimentos cobram de 0,3% a 1% ao ano ou uma mensalidade, e planejadores CFP costumam cobrar por plano. Desde novembro de 2024, a corretora precisa mostrar quanto ganha em cada aplicação e o assessor envia um extrato trimestral da remuneração.
Um assessor de investimentos quase nunca manda uma fatura. Isso não quer dizer que ele trabalhe de graça: o custo está nos produtos que você compra. Entender esse custo, e compará-lo com o de um consultor ou planejador que cobra honorários, muda o que sobra na sua carteira em dez anos.
Assessor, consultor ou planejador CFP: quem é quem
Os três profissionais orientam investimentos, mas têm registros diferentes, e o registro define como cada um pode ser pago.
Assessor de investimentos: atua como preposto de uma ou mais corretoras, regido pela Resolução CVM 178/2023, e precisa de credenciamento. Recomenda produtos da plataforma a que está ligado, respeitando o perfil do cliente (suitability), e não pode prestar consultoria. Veja os assessores de investimentos e os escritórios de assessoria cadastrados na Investdex.
Consultor de investimentos: registrado na CVM pela Resolução CVM 19/2021, é independente das corretoras, não distribui produtos e não executa ordens. A norma exige contrato escrito com a remuneração detalhada e que ele coloque o interesse do cliente à frente do próprio. Veja os consultores de investimentos.
Planejador financeiro CFP: CFP é uma certificação emitida pela Planejar, não um registro na CVM. O planejador olha a vida financeira inteira (orçamento, aposentadoria, sucessão, seguros e impostos) e pode atuar como assessor, consultor ou de forma independente. Veja os planejadores financeiros CFP.
Os três modelos de remuneração
1. Comissão (rebate)
A corretora recebe parte da taxa de administração dos fundos que distribui, um spread na compra e venda de títulos de renda fixa ou uma taxa paga pela empresa emissora em ofertas. Uma fatia disso vai para o assessor. O investidor não vê uma cobrança separada, mas o custo está no retorno do produto.
O valor varia muito de produto para produto. Tesouro Direto e CDBs simples pagam pouco ou nada ao distribuidor, enquanto um COE pode gerar de 3% a 7% do valor aplicado em comissões, em geral pagas de uma vez no momento da aplicação. É daí que vem o conflito de interesse mais citado no mercado: o produto que mais remunera o assessor nem sempre é o melhor para o cliente. Entenda o termo rebate no dicionário e veja quem trabalha nesse modelo em assessores remunerados por comissão.
2. Fee fixo (fee based)
O cliente paga uma taxa anual sobre o patrimônio assessorado, normalmente entre 0,5% e 1% ao ano, cobrada em parcelas mensais proporcionais. Em troca, as comissões dos produtos são devolvidas ao cliente, total ou parcialmente, conforme a política da corretora. Vale perguntar qual percentual volta para você.
O modelo ainda é minoria no Brasil. Na Expert XP 2026, a XP estimou o fee fixo em cerca de 5% do mercado de assessoria e em aproximadamente 20% da própria base de clientes, contando o canal de consultoria, com projeção de chegar a 40% do mercado em cinco anos. Em 2026 a XP também passou a cobrar uma taxa de plataforma dos escritórios parceiros sobre a receita de novos clientes no fee fixo, o que pode influenciar preços e patrimônio mínimo exigido. Compare quem atende assim em assessores com fee fixo.
3. Honorários e taxa de consultoria
Consultores de investimentos cobram, em geral, de 0,3% a 1% ao ano sobre o patrimônio consultado, ou uma mensalidade fechada, que em algumas casas começa em torno de R$ 100 por mês para carteiras menores. Em janeiro de 2026, o Ofício-Circular nº 2/2026/CVM/SIN esclareceu que o consultor só pode receber valores pagos por emissores ou distribuidores se repassar tudo ao cliente, abatendo da taxa de consultoria, com previsão expressa no contrato e relatórios com a memória de cálculo da compensação.
Planejadores CFP que trabalham por honorários costumam cobrar por plano ou por acompanhamento mensal. Levantamentos de preços de 2026 apontam algo entre R$ 1,5 mil e R$ 4 mil para um plano completo de pessoa física com aposentadoria; casos com empresa, sucessão ou bens no exterior custam mais. A vantagem é que o valor não depende do tamanho da carteira. Veja os profissionais que cobram assim em consultores por honorários.
Simulações: quanto você paga, de R$ 100 mil a R$ 5 milhões
Os números abaixo são estimativas para comparação, montadas com faixas publicadas em políticas de remuneração e na imprensa especializada. O custo real depende da corretora, dos produtos e da negociação, e o seu extrato trimestral mostra o valor exato. Premissas usadas: no modelo de comissão, uma carteira conservadora (Tesouro, CDB, LCI e LCA) gera entre 0,2% e 0,5% ao ano para a cadeia de distribuição, e uma carteira diversificada (fundos ativos, crédito privado, previdência e alguma renda variável) gera entre 0,6% e 1,2% ao ano. Carteiras com COE e muita troca de produtos podem passar disso.
Carteira de R$ 100 mil
Comissão: de R$ 200 a R$ 500 por ano na carteira conservadora e de R$ 600 a R$ 1.200 na diversificada.
Fee fixo de 1%: R$ 1.000 por ano, quando o escritório aceita esse patrimônio (muitos exigem mínimo maior).
Consultor por mensalidade: a partir de cerca de R$ 1.200 por ano.
Planejador CFP: plano pontual de R$ 1,5 mil a R$ 4 mil, pago uma vez.
Nessa faixa, a comissão sobre uma carteira simples tende a ser o modelo mais barato. Um plano pontual com um planejador pode compensar se as dúvidas forem de orçamento, reserva de emergência e aposentadoria, e não de escolha de produtos.
Carteira de R$ 500 mil
Comissão: de R$ 1.000 a R$ 2.500 por ano na carteira conservadora e de R$ 3.000 a R$ 6.000 na diversificada.
Fee fixo de 0,8%: R$ 4.000 por ano.
Consultor a 0,5%: R$ 2.500 por ano.
É a faixa em que os modelos mais se aproximam. Quem mantém fundos ativos e previdência costuma pagar no comissionado algo parecido com um fee fixo, só que sem ver.
Carteira de R$ 1 milhão
Comissão: de R$ 2.000 a R$ 5.000 por ano na carteira conservadora e de R$ 6.000 a R$ 12.000 na diversificada.
Fee fixo de 0,7%: R$ 7.000 por ano.
Consultor a 0,4%: R$ 4.000 por ano.
Carteira de R$ 5 milhões
Comissão: de R$ 10.000 a R$ 25.000 por ano na carteira conservadora e de R$ 30.000 a R$ 60.000 na diversificada.
Fee fixo de 0,5%: R$ 25.000 por ano.
Consultor a 0,3%: R$ 15.000 por ano.
Conforme o patrimônio cresce, os modelos explícitos ficam relativamente mais baratos, porque o percentual cobrado cai. A comissão, por outro lado, acompanha o volume aplicado e a rotação de produtos, e por isso tende a pesar mais em carteiras grandes e diversificadas. Se você está decidindo entre os dois, a página comissão ou fee fixo reúne os profissionais que oferecem as duas opções.
O efeito do custo em dez anos
Diferenças de meio ponto percentual parecem pequenas no ano, mas se acumulam por causa dos juros compostos. Considere R$ 1 milhão, sem aportes, rendendo hipotéticos 11% ao ano antes do custo do profissional (abaixo da Selic, que está em 14,25% ao ano em outubro de 2026):
Sem nenhum custo de assessoria: cerca de R$ 2,84 milhões depois de dez anos.
Com custo de 0,5% ao ano: cerca de R$ 2,71 milhões, ou R$ 125 mil a menos.
Com custo de 1% ao ano: cerca de R$ 2,59 milhões, ou R$ 246 mil a menos.
Com custo de 1,5% ao ano: cerca de R$ 2,48 milhões, ou R$ 361 mil a menos.
Entre pagar 0,5% e 1,5% ao ano, a diferença passa de R$ 230 mil no período. Isso não torna o profissional mais barato automaticamente melhor: um bom assessor ou consultor pode evitar produtos ruins, organizar impostos e sucessão e manter você investido nos momentos difíceis. O ponto é saber quanto você paga para avaliar se a entrega vale o preço.
O que a CVM obriga o assessor a informar
As Resoluções CVM 178 e 179, publicadas em fevereiro de 2023, mudaram a transparência da remuneração no Brasil. A 178 vale desde 1º de junho de 2023 e a 179 está em vigor plena desde 1º de novembro de 2024. Na prática, você tem direito a:
Um termo de ciência, entregue pelo assessor, que descreve as atividades dele, a estrutura de remuneração e os potenciais conflitos de interesse.
Uma página no site da corretora com informações qualitativas e quantitativas sobre como ela é remunerada (corretagem, rebate, spread) e os conflitos envolvidos.
A forma e o valor da remuneração informados no momento do investimento ou do resgate, no mesmo ambiente em que você envia a ordem.
Um extrato trimestral com a remuneração que o assessor recebeu em razão dos seus investimentos.
Uma conta simples ajuda: some a remuneração dos últimos quatro extratos trimestrais e divida pelo patrimônio médio do período. O resultado é o custo anual efetivo da sua assessoria, o número a comparar com uma proposta de fee fixo ou de consultoria. O passo a passo, com um exemplo, está em como ler o extrato trimestral de remuneração.
Custos que existem em qualquer modelo
A remuneração do profissional não é o único custo da carteira. Fundos cobram taxa de administração e, muitas vezes, taxa de performance; títulos de renda fixa embutem spread; há custódia em alguns produtos e Imposto de Renda sobre os ganhos. No fee fixo e na consultoria, parte do ganho para o investidor costuma vir da troca de produtos caros por alternativas mais baratas, como Tesouro Direto, ETFs e fundos passivos. Peça sempre uma visão do custo total da carteira, e não só da taxa do profissional.
Como escolher o modelo de remuneração
Carteira menor, concentrada em renda fixa simples e com pouca movimentação: o modelo de comissão pode sair mais barato, desde que você acompanhe o extrato trimestral.
Patrimônio a partir de R$ 500 mil, com fundos, previdência e crédito privado: vale pedir propostas de fee fixo e de consultoria e comparar com o custo atual.
Necessidade de um plano de vida (aposentadoria, sucessão, seguros, impostos): um planejador CFP por honorários resolve sem depender da carteira.
Desconforto com produtos estruturados oferecidos com insistência: modelos sem comissão reduzem esse incentivo.
Perguntas para fazer antes de contratar
Você é assessor de investimentos ou consultor? Qual é o seu registro?
Como você é remunerado e quanto, em percentual, nos produtos que vai me indicar?
Você recebe mais por indicar produtos da própria corretora ou produtos estruturados, como COE?
Existe a opção de fee fixo? Que parte das comissões volta para mim nesse caso?
Posso ver um modelo do extrato trimestral de remuneração?
Qual é o patrimônio mínimo e com que frequência recebo relatório e reunião?
O roteiro completo, com 20 perguntas e o que cada resposta revela, está em o que perguntar antes de contratar um assessor de investimentos.
Perguntas frequentes
Assessor de investimentos cobra taxa?
No modelo de comissão, não há cobrança direta: o assessor recebe uma parte do que a corretora ganha com os produtos que você compra. No fee fixo, você paga uma taxa anual sobre o patrimônio, em geral entre 0,5% e 1%, e as comissões são devolvidas total ou parcialmente.
O que é mais barato, comissão ou fee fixo?
Depende da carteira. Para quem tem pouco patrimônio em produtos simples, a comissão costuma ser menor. Em carteiras grandes, com fundos ativos, previdência ou produtos estruturados, o fee fixo tende a custar menos e a ser mais previsível.
Quanto custa um consultor de investimentos?
A faixa mais comum vai de 0,3% a 1% ao ano sobre o patrimônio consultado. Algumas consultorias cobram mensalidade fixa, e o consultor que receber comissões precisa abater o valor integral da taxa cobrada do cliente.
Como sei quanto o meu assessor ganha comigo?
Consulte o extrato trimestral de remuneração, obrigatório desde novembro de 2024, e a informação de remuneração exibida pela corretora no momento de cada aplicação. Se não receber o extrato, peça ao assessor ou à corretora.
Planejador CFP é a mesma coisa que consultor de investimentos?
Não. CFP é uma certificação de planejamento financeiro emitida pela Planejar. Consultor de investimentos é um registro na CVM. Um profissional pode ter os dois, e é o registro que define se ele pode recomendar investimentos de forma independente e como pode ser remunerado.
Compare pela remuneração na Investdex
Os perfis da Investdex mostram o modelo de remuneração de cada profissional no campo "Remuneração". Use o filtro do diretório para comparar só quem trabalha no modelo que faz sentido para você, ou busque assessores de investimentos por cidade.
Antes de fechar, confira onde checar as credenciais do seu assessor e os cuidados antes de contratar.
Fontes
ANBIMA: Resoluções CVM 178 e 179 sobre assessores de investimento
Mattos Filho: novo marco regulatório do assessor de investimento
Chambers: Ofício-Circular nº 2/2026/CVM/SIN sobre consultores
InfoMoney: participação do fee fixo deve dobrar em cinco anos
Texto revisado em 23 de outubro de 2026. As faixas de custo são estimativas para comparação e não constituem recomendação de investimento.